quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Gostava de te dizer...

...que afinal as emoções não tem rosto, que o tempo sim as molda e amassa.
Retorno assim, imperfeita e crua, ao embrião do que fomos.

mónica castelo

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Tu...Palavra

às vezes
a palavra
abre a porta da lucidez dissimulada pela loucura da espera
pela histeria da ausência, pela carne viva que se sangra...
...e pelos passeios morre lenta, assim...louca.
tão frágil, tão tempestuosa e volátil, sobe no ar como um papel queimado, deixa cinza como rastro e um fio de fumo pelo ar.
essa palavra que nunca pensei minha,
essa natureza que não me vejo espelhar,
subitamente fica em mim como um crustáceo, lambe-me a pele e o seu sal
segreda-me a essência desse oceano, que sempre foi homem e sempre foi mar
e respiro-a, sinto-a, penso-a, vive em mim
a palavra não é apenas palavra
a palavra não morre
a palavra é o próprio ar

Mónica Castelo