sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Nu

Devolve-me a pele
A sua capacidade intrínseca de sentir
A volatilidade que lhe é conferida de se exaltar
A ponte para o que me rodeia, para a vida;
Devolve-me,
remete-a à sua arquitectura
por carta, na língua, por telefone
Devolve-me o pelo, o manto, o lençol ou a mortalha
Quero o conforto da minha pela
Que é a minha, a que aprendi a conhecer desde menina
Sinto-me nua sem ela
Quero vesti-la
É urgente a pele na carne viva

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Gostava de te dizer...

...que afinal as emoções não tem rosto, que o tempo sim as molda e amassa.
Retorno assim, imperfeita e crua, ao embrião do que fomos.

mónica castelo

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Tu...Palavra

às vezes
a palavra
abre a porta da lucidez dissimulada pela loucura da espera
pela histeria da ausência, pela carne viva que se sangra...
...e pelos passeios morre lenta, assim...louca.
tão frágil, tão tempestuosa e volátil, sobe no ar como um papel queimado, deixa cinza como rastro e um fio de fumo pelo ar.
essa palavra que nunca pensei minha,
essa natureza que não me vejo espelhar,
subitamente fica em mim como um crustáceo, lambe-me a pele e o seu sal
segreda-me a essência desse oceano, que sempre foi homem e sempre foi mar
e respiro-a, sinto-a, penso-a, vive em mim
a palavra não é apenas palavra
a palavra não morre
a palavra é o próprio ar

Mónica Castelo